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Porque a culpa te prende ao que te magoa

Porque a culpa te prende ao que te magoa

Há pessoas que sabem que aquilo lhes faz mal.

Sabem que estão cansadas. Sabem que se estão a perder. Sabem que a relação, o contexto ou a dinâmica já lhes está a custar demasiado.

E, mesmo assim, não conseguem sair.

Muitas vezes, não é só por amor. Não é só por esperança. Não é só por medo da solidão.


É também por culpa.

Culpa por magoar. Culpa por desiludir. Culpa por não tentar mais uma vez. Culpa por não ser mais compreensiva(o), mais paciente, mais “capaz de aguentar”.

E, aos poucos, essa culpa começa a parecer consciência.

Mas nem sempre é. Muitas vezes, é condicionamento.


É o resultado de ter aprendido cedo que escolher-se podia custar amor, vínculo, aprovação ou pertença. Que pôr limites podia gerar distância. Que dizer “isto magoa-me” podia fazer de ti a pessoa difícil. Que sair de uma situação injusta podia trazer a sensação de estares a falhar.

É por isso que, quando chega a hora de te afastares do que te faz mal, não lutas só com a dor da relação. Lutas também com a culpa de te escolheres.

E isso confunde tudo.


Porque deixas de perguntar: isto faz-me bem?

E começas a perguntar: E se eu estiver a ser egoísta?E se eu estiver a desistir cedo demais?E se eu magoar o outro? E se o problema for eu?


A culpa faz isto: afasta-te da tua verdade e aproxima-te da tua velha função.

A função de aguentar.De compreender tudo.De tentar mais uma vez.De carregar mais do que devias.De te abandonar para não desorganizar ninguém.

Mas sentir culpa não significa, automaticamente, que estás a errar.

Às vezes, significa apenas que estás a fazer uma coisa nova: escolher-te.

E, isso, pode ser profundamente desconfortável para quem aprendeu, desde cedo, a medir valor pela capacidade de aguentar, de cuidar e de não falhar aos outros.

É por isso que olhar para a culpa com mais verdade muda tanto.

Porque deixas de a tratar como prova de que deves ficar. E começas a vê-la como sinal de um padrão antigo a ser tocado.


O padrão de agradar.De salvar.De evitar conflito.De manter paz à tua custa.De sentir que o teu valor depende do quanto consegues suportar sem te ires abaixo.

E quando percebes isso, alguma coisa começa a mudar.

A culpa pode continuar a aparecer. Mas deixa de mandar.

Deixa de ser lei. Passa a ser informação.

E é aí que a decisão começa a ganhar espaço.


Não quando já não sentes nada. Mas quando deixas de confundir culpa com amor, responsabilidade ou dever.

Se te custa sair do que te magoa, talvez a pergunta não seja apenas: “Porque é que eu continuo aqui?”

Talvez seja: “O que é que em mim aprendeu a sentir culpa sempre que tento proteger-me?”

Essa pergunta não desculpa tudo. Mas devolve contexto.

E, às vezes, é exatamente aí que a reconstrução começa.


Se sentes que tens vivido presa(o) entre culpa, medo, amor e autoabandono, o Retiro Sem Te Perderes pode ser um espaço para começares a olhar para isso com mais profundidade, clareza e verdade.



Andreia Almeida


 
 
 

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